Quem são os heterónimos de Fernando Pessoa?

 

 

 

 

 

Ao contrário dos pseudônimos - vários nomes para uma mesma personalidade - os heterónimos constituem várias pessoas que habitam num único poeta. Cada um deles tem a sua própria biografia, sua temática poética singular e seu estilo específico. É como se eus fragmentados e múltiplos explodissem dentro do artista, gerando poesias totalmente diversas. O próprio Fernando Pessoa explicou os seus heterónimos:

"Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim, personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e idéias, os escreveria."
Assim têm estes poemas de Alberto Caeiro, os de Ricardo Reis e os de Álvaro Campos que ser considerados. Não há que buscar em quaisquer deles idéias ou sentimentos meus, pois muitos deles exprimem idéias que não aceito, sentimentos que nunca tive. Há simplesmente que os ler como estão, que é aliás como se deve ler.

 

  • Ricardo Reis nasceu, no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, tendo recebido, por isso, uma educação clássica (latina). Estudou (por vontade própria) o helenismo, isto é, o conjunto das ideias e costumes da Grécia antiga (sendo Horácio o seu modelo literário). A referida formação clássica reflete-se, quer a nível formal, quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com umpurismo que Pessoa considerava exagerado.

 

  • Álvaro de Campos, nasceu em Tavira em 1890. Era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente (de que resultou o poema "Opiário"). Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polémicas literárias e políticas. É da sua autoria o "Ultimatum", manisfesto contra os literatos instalados da época.

 

  • Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa Ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta do Ribatejo, onde foram escreitos quase todos os seus poemas, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a "novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra").